06.06.11 - The Lancet destaca obesidade em publicação sobre saúde no Brasil

O avanço da obesidade e das doenças associadas a ela, como diabetes e hipertensão, foi mencionado na série de artigos “Saúde no Brasil ” que a revista médica britânica The Lancet acaba de lançar em português e inglês. No capítulo sobre doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), os autores afirmam que “esses aumentos estão associados a mudanças desfavoráveis na dieta e na atividade física”.

Os especialistas afirmam ainda que o “crescimento da renda, industrialização e mecanização da produção, urbanização, maior acesso a alimentos em geral, incluindo os processados, e globalização de hábitos não saudáveis produziram rápida transição nutricional, expondo a população cada vez mais ao risco de doenças crônicas”.

Esclarecendo que o país “não possui inquéritos nacionais periódicos sobre padrões dietéticos”, o capítulo sobre DCNT cita dados de quatro grandes pesquisas sobre compras de alimentos por famílias de áreas metropolitanas de 1970 a 2000. 

Os resultados dos levantamentos “sugerem uma redução na compra de alimentos tradicionais básicos, como arroz, feijão e hortaliças, e aumentos notáveis (de até 400%) na compra de alimentos processados, como bolachas e biscoitos, refrigerantes, carnes processadas e pratos prontos”. 

Prosseguindo, a publicação oferece dados sobre ingestão de gorduras, de sódio e de açúcar; números sobre aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade de crianças, adolescentes e adultos; e estimativas do Vigitel que confirmam “a tendência do aumento na prevalência de obesidade, apontando 14,8% para indivíduos com 20 anos de idade ou mais”.

Combate à Epidemia
A presidente da ABESO, Dra. Rosana Radominski, comenta que “a matéria reproduzida na revista The Lancet já é bem conhecida na comunidade acadêmica”. A endocrinologista afirma que “o aumento da prevalência da obesidade tanto na infância como na idade adulta certamente irá refletir em breve na elevação das doenças associadas à obesidade, como o diabetes, as dislipidemias e as doenças cardiovasculares, aumentando os custos da saúde de forma importante”.

Segundo a especialista, “o Vigitel 2010, recentemente publicado (o mencionado no Lancet é o de 2009) demonstra que o panorama está piorando anualmente. Políticas públicas de saúde, antes voltadas apenas para a redução da desnutrição, deverão abranger urgentemente o combate desta epidemia em todo o país”, conclui.

Fonte: www.abeso.org.br

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