Exercícios físicos
antes da cirurgia podem aumentar chances de sucesso
Entrar em forma antes de uma cirurgia pode ajudar na cura
do problema tratado. Isso parte de uma pesquisa da Universidade
de Missouri, Columbia (EUA), que descobriu que exercícios
físicos regulares antes do procedimento cirúrgico
melhoravam o estado de saúde.
Exercitar-se antes da cirurgia ajuda também a prevenir
complicações cirúrgicas, além
de auxiliar na recuperação do paciente. Um
estudo com 200 pacientes com problemas cardíacos
descobriu que aqueles com pior capacidade aeróbica
tinham maiores riscos de desenvolver ao menos uma séria
complicação cirúrgica. Isso vale também
para os casos de cirurgia de revascularização
do miocárdio, segundo estudos preliminares do Departamento
de Fisiologia.
O estudo descobriu que apenas 20% dos pacientes de cirurgias
bariátricas faziam exercícios regularmente.
Esses pacientes praticavam exercícios leves: natação
ou caminhadas de 20 minutos por dia, 3 ou 4 vezes por semana.
Mesmo leves, estes exercícios diminuíam significativamente
o risco de complicações cirúrgicas
e melhoravam o pós-operatório.
O motivo destes benefícios do exercício pré-cirúrgico
fundamenta-se no fato que a obesidade causa inúmeros
problemas que conduzem a riscos operatórios e retardo
da recuperação cirúrgica. Obesidade,
em geral, pode alargar a câmara esquerda do coração.
A mudança da estrutura cardíaca pode causar,
entre outras disfunções, arritmias no coração,
que podem ser fatais.
A maioria dos pacientes de cirurgia bariátrica tem
ao menos uma condição de risco para doenças
cardiovasculares: diabetes, hipertensão, estresse,
inflamações crônicas ou problemas psicológicos.
Os exercícios reduzem a pressão sangüínea,
os riscos de inflamação e as taxas de açúcar
no sangue. Além disso, melhoram defesas do organismo.
As doenças vasculares incluem arteriosclerose, arteriotrombose,
trombose venosa e embolia pulmonar. Arteriosclerose é
a formação de placas no interior da artéria
que podem obstruir a passagem do sangue. Se a artéria
conduz o sangue ao coração ou ao cérebro,
o bloqueio do fluxo sangüíneo pode resultar
em ataque cardíaco ou derrame cerebral. A obesidade
aumenta três vezes o risco de arteriosclerose.
Exercícios moderados previnem tanto a arteriosclerose
quanto a arteriotrombose por reduzirem fatores inflamatórios
e altos níveis de estresse oxidativo. Curiosamente,
exercícios físicos intensos e extenuantes
podem ter efeitos adversos.
A obesidade também aumenta o risco cirúrgico
de complicações respiratórias, como
baixo nível de oxigênio no sangue – exigindo,
por vezes, o uso de aparelhos ou de medicamentos –
e pneumonia. São comuns os problemas respiratórios
de pacientes sujeitos à cirurgia bariátrica,
acima do peso adequado. Quase metade deles, por exemplo,
sofrem de apnéia obstrutiva do sono ou asma.
A obesidade também está associada a defeitos
no sistema imunológico, o que piora a capacidade
do corpo em combater bactérias e vírus. Também
aumenta os níveis de estresse oxidativo, estado que
reduz a energia necessária à ação
de proteínas de choque, que irão reparar danos
em outras proteínas e também nos tecidos.
Assim, a prática regular de exercícios previne
todos os problemas acima descritos, promovendo uma significativa
melhora dos pacientes durante o pós-operatório
e reduzindo riscos durante o procedimento em si. Isso vale
mesmo para exercícios físicos considerados
de baixa a média intensidade.
Fonte: Informativo "Beyond Change - Information
Regarding Obesity and Obesity Surgery". Livremente
traduzido e resumido por Thaíse Torres.
|